Programa Campo Web do último sábado (26) conversou com Gerson Herter, da Suporte Corretora Brasil
Engenheiro agrônomo comentou sobre a importância do nitrogênio na cultura do trigo, e as possibilidades desse cereal ajudar na produtividade das lavouras de soja
Publicada em 04/03/2022 às 20:00h | Leonardo Pinto dos Reis
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(Foto: JM Digital)
No último Programa Campo Web do mês de fevereiro, José Domingos conversou com o engenheiro agrônomo Gerson Herter, membro da Suporte Corretora Brasil. O especialista em agronomia comentou sobre o papel do nitrogênio, especialmente na cultura do trigo, ressaltando a possibilidade de uma interação desse cereal com as lavouras de soja.
De início, o profissional comentou sobre o papel do nitrogênio no desenvolvimento das plantas:
“Nenhum nutriente é tão importante quanto o nitrogênio, pois ele determina o crescimento e a produtividade. O nitrogênio está 99% na matéria orgânica, mas o nitrogênio para ser absorvido pela planta precisa estar em sua forma mineral. É o chamado nitrogênio disponível, o qual, na maioria dos países produtores de trigo, é medido pré-plantio".
E comparou esse nutriente entre as culturas do trigo e da soja, explicitando a possibilidade de interação entre as culturas para permitir um melhor desenvolvimento da oleaginosa:
“O nitrogênio é mais importante para a cultura do trigo do que para a soja e, no entanto, ninguém mede o nitrogênio. Quando colhemos trigo, colhemos nitrogênio, porque esse elemento faz parte da formação do grão, compondo mais ou menos 2,5% da massa do grão. São exportados em torno de 200 kg de nitrogênio por hectare. Neste ano, estamos, infelizmente, com uma soja ruim. Então, é um ano em que precisamos do trigo, para que possa ajudar o soja. Porém, as evoluções na cultura do trigo estão paradas. Precisamos transformar o trigo em uma grande cultura, pois temos baixa competitividade devido à baixa tecnologia”.
Gerson Herter também explicou sobre a importância da verificação do nitrogênio no solo:
"A disponibilidade do nitrogênio não tem a ver com matéria orgânica, mas sim com os tratos culturais, com o clima dos últimos 60 dias. Por exemplo, colhi soja em 1º de março, em uma lavoura com 3% de matéria orgânica. Em uma metade plantei capim sudão e na outra plantei nabo. Porém, na hora de plantar uma nova semente, é preciso medir o solo independente do que esteja plantado, porque é lá que o nitrogênio estará”.
E deu exemplo prático de como a falta desse tipo de análise pode resultar em prejuízos:
“Ano passado, fizemos quase 80 mil hectares de trigo dentro da corretora. Desse total, monitoramos 20 mil e em 70% a dose de nitrogênio estava errada. 40% estava com uma dose maior do que a necessária, e 30% com subdoses. Além disso, diagnosticamos entre 20 até 90 kg de nitrogênio disponível no solo de algumas lavouras”.
Defendendo a análise de solo para verificar a quantidade de nitrogênio, o engenheiro agrônomo questionou a prática de aplicação doses fixas de nitrogênio nas lavouras:
“Hoje, no Brasil inteiro, as lavouras milho-trigo e soja-trigo recebem as mesmas doses de nitrogênio, independente da necessidade. Em um estudo feito ano passado, analisamos duas lavouras onde foram colocadas 80 kg de nitrogênio entre o plantio e o perfilhamento. Chegou no encanamento, as plantas de uma lavoura absorveram 80 kg por hectares, e as plantas de outra absorveram 180 kg. De onde veio esse nutriente extra? Do solo. Então, a dose fixa é o maior limitante na busca pelo trigo grande”.